Finanças empresariais

Sua empresa está endividada?

junho 17, 2019
empresa endividada

O Brasil é campeão no quesito “fechamento de empresas”. Segundo o IBGE, a cada 10 empresas, 6 fecham antes de completar 5 anos, uma taxa de mortalidade de 60%! Em 2015 e 2016, por exemplo, houve mais fechamentos de empresas do que abertura. Mas será que esse é apenas um problema da recessão e da alta carga tributária do Brasil?

Analisando dados, vemos que as micro e pequenas empresas são parte importantíssima para o crescimento do país, sendo responsável por cerca de 84% de todos os empregos gerados por aqui no primeiro trimestre de 2018 e ¼ do PIB.

Mas infelizmente esse segmento tão importante para o país sofre com a falta de profissionalização e o endividamento. Segundo um estudo realizado pela CB Insights, empresa norte americana de inteligência de mercado, 71% dos motivos de fechamento de empresas está relacionado à falha na definição da demanda do mercado e problemas financeiros.

Durante este artigo iremos analisar alguns dos principais problemas financeiros enfrentados pelas empresas e como eles podem estar levando sua empresa a ser tornar apenas uma estatística (negativa).

Ausência de controles financeiros adequados

As empresas, especialmente as micro e pequenas, geralmente possuem um orçamento bastante limitado que impedem a contratação de profissionais capacitados para a área financeira.

Por conta dessa limitação, na maioria das empresas, a gestão financeira fica a cargo do próprio dono ou de algum outro familiar que, via de regra, não possui nenhum (ou muito pouco) conhecimento na área. Isso é um erro capital que pode levar a problemas quase irreversíveis.

Ferramentas básicas de gestão, como elaboração de orçamento e controle de fluxo de caixa, raramente são utilizadas, e quando o são, acabam sendo mal utilizados, trazendo informações incorretas que geram decisões ruins.

Possuir controles financeiros adequados é um dos pilares para que sua empresa seja saudável financeiramente.

Considerar que contratar profissionais custa caro

Conforme pudemos verificar no item anterior, a limitação financeira faz com que as micro e pequenas empresas acabem não contratando profissionais para atuar na área. É um pensamento antigo que precisa ser mudado de forma urgente.

Por mais que possa parecer uma despesa desnecessária, estar rodeado por profissionais em áreas chaves da empresa é importantíssimo. Esses profissionais trarão boas práticas, ferramentas e elementos que poderão direcionar as ações da empresa de forma muito mais assertiva.

Muitas vezes o dinheiro não é suficiente para contratação de um profissional de tempo integral, mas hoje já existem muitas assessorias no mercado, consultores e afins.

Por isso não hesite. Peça ajuda para profissionais especializadas na área financeira e jurídica, pois ambas, além de andarem em conjunto, visando um planejamento financeiro e tributário que permita a sua empresa gastar apenas o mínimo necessário e sem despesas extras, eles poderão te ajudar a eliminar riscos.

Confusão entre despesas pessoais e da empresa

Um dos problemas mais elementares que as micro e pequenas empresas enfrentam, especialmente pela falta de profissionais financeiros, é misturar dinheiro e contas pessoais dos donos com as da empresa e vice versa. Isso é extremamente comum de acontecer.

Algumas vezes falta dinheiro no orçamento pessoal para pagar alguma conta e o dono da empresa pega dinheiro do caixa. Outras falta dinheiro no orçamento da empresa para pagar um fornecedor e o dono paga as contas com seu dinheiro pessoal. Tudo isso sem qualquer registro contábil adequado e essa falta de conciliação traz problemas graves.

Existem casos até em que a empresa compra itens de uso pessoal para o dono que depois devolve o dinheiro de forma parcelada, carro da empresa usado para fins pessoais, etc.

É preciso ter muita clareza na divergência entre as pessoas. Não é à toa que o dono da empresa é uma pessoa física, com CPF, e a empresa é uma pessoa jurídica, com CNPJ. Não é possível haver uma unidade entre as duas pessoas. É preciso segregar totalmente pessoa física (dono) e jurídica e manter dessa forma para que assim seja possível avaliar se de fato a sua atividade empresarial está sendo rentável ou se é caso de você repensar no caminho que está trilhando.

Ausência de controle de gastos

Gastar indiscriminadamente também gera sérios problemas financeiros. Grande parte das empresas não sabem o quanto custam e para onde vai o dinheiro. Muitas vezes tem uma boa geração de recursos com um bom fluxo de caixa, mas as despesas estão descontroladas a ponto de mesmo assim gerarem prejuízo.

É preciso fazer uma boa gestão de despesas, analisar cada uma, entender o que pode ser eliminado e reduzido.

Falta de gestão do fluxo de caixa

O fluxo de caixa é uma importante ferramenta de gestão que olha para o movimento de entradas e saídas de dinheiro que aconteceu na empresa em determinado período de tempo.

Para que ele reflita a realidade é preciso ter anotado com precisão todas as entradas e saídas, por menores que sejam, bem como a data em que aconteceram. Através desse processo é possível entender os períodos em que há maior pressão no caixa, os períodos em que há folga e pensar em estratégias para equalizar esses problemas.

Também existe o fluxo de caixa projetado que olha para o movimento previsto de entradas e saídas no futuro. Isso é importantíssimo para que a empresa possa saber o que fazer com seu dinheiro. Se haverá sobras de caixa decidir quando investir, se poderá fazer ampliações, novas contratações e etc.

Também pode haver a situação oposta. A projeção pode evidenciar um problema de falta de dinheiro em algum momento e demandar uma decisão de busca de crédito ou tentativa de antecipação de recebíveis. O que nos leva ao próximo problema.

Antecipação de recebíveis

Antecipação de recebíveis é como é conhecida a ação de solicitar o recebimento antecipado de parcelas de vendas a receber. Imagine, por exemplo, uma venda de R$1.000,00 efetuada pela sua empresa em 10 parcelas, sem juros. Isso significa que a entrada dinheiro no caixa de sua empresa ocorrerá, igualmente, de forma parcelada em 10 vezes de R$100,00. Quando a antecipação é efetuada você irá receber o valor integral antes, porém, pagando uma taxa de antecipação.

De forma pontual, para resolver um problema específico no fluxo de caixa essa pode ser uma alternativa muito boa quando comparada com empréstimos, atrasos nos pagamentos a fornecedores e afins. Porém, embora seja uma saída rápida e eficiente quando utilizada de forma controlada, a utilização constante dessa prática poderá ser extremamente nociva para sua empresa e se tornar um pesadelo.

É que com o passar do tempo a antecipação desses recebíveis poderá minar gradualmente a rentabilidade do seu negócio, o que significa dizer que você terá que repassar esse custo ao seu cliente ou do contrário, em pouco tempo a sua empresa estará endividada.

Como saber se sua empresa está endividada e o que fazer então?

Ao longo deste artigo você foi apresentado a algumas das principais causas que levam as micro e pequenas empresas a encerrar suas operações, sendo que a falta de conhecimento das melhores práticas de gestão financeira se mostra determinante para que isso aconteça.

Há vários outros fatores que isolados ou combinados com a falta de gestão que podem levar uma empresa para situação de crise: sejam eles externos (crise globais ou catástrofes naturais) ou internos, relacionados à operação da empresa (dificuldade na produção e vendas, por exemplo).

Os principais sinais de crise são:

  • Necessidade rotineira de antecipação de recebíveis ou de outras linhas de crédito com custo alto (cheque especial, crédito rotativo, conta garantida) para honrar com as obrigações assumidas
  • Quebra de contratos com clientes e fornecedores
  • Corte de linhas de crédito
  • Piora nos resultados
  • Ajuizamento de ações judiciais  

Se você identificou-se com algum dos itens acima é preciso ligar o alerta o mais rápido possível e analisar com cuidado o terreno onde está pisando. Procure entender a real situação financeira da sua empresa e implemente controles financeiros apropriados, que permitam identificar um possível risco de endividamento.

Acima de tudo, é preciso saber quando buscar ajuda. Muitas vezes, o que é visto como um custo, pode ser na verdade um investimento. Profissionais da área financeira e jurídica podem te auxiliar a encontrar as saídas necessárias para que você se mantenha na parte positiva das estatísticas.

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