Finanças empresariais

Minha empresa está endividada: e agora?

junho 24, 2019
minha empresa endividada: e agora

Gerir uma empresa não é algo simples. Ainda mais no Brasil, onde a instabilidade política e a alta carga tributária dificulta (e muito) a situação. Em tempos de crise então, essa dificuldade aumenta ainda mais. E esse é exatamente o momento que estamos passando hoje, embora as expectativas de retomada econômica sejam boas.

Para vislumbrar o tamanho do problema pelo qual os empresários estão passando, basta observar o número de desempregados que vai além da casa dos 13 milhões. Esse é um grande termômetro para verificar o desaquecimento do mercado, já que os primeiros cortes realizados quando as finanças são pressionadas é no quadro de funcionários.

Mas, infelizmente, nem sempre cortes na folha de pagamento e redução de certas despesas fixas são suficientes para resolver os problemas financeiros da empresa, para que seja evitado o endividamento. Às vezes, até mesmo as empresas mais bem organizadas e com finanças saneadas podem acabar se endividando, seja por fatores macro ou microeconômicos.

Mas isso não é o fim do mundo. É possível passar por períodos de turbulência com disciplina e muita organização.

Os três tipos de dívidas mais comuns no universo empresarial são com fornecedores, com o governo e com bancos. Embora cada uma delas demande um tipo de medida, todas podem sim ser renegociadas e trazer um resultado muito bom para sua empresa.

Neste conteúdo, vamos avaliar cada uma delas e te ajudar a entender como dar a volta por cima.

Empresa endividada com fornecedores

Um dos maiores erros dos empresários que possuem dívidas com fornecedores é “esquecer” a dívida. O famoso “deixar como está pra ver como é que fica”. Isso é um grande erro e poderá prejudicar – e muito – o seu negócio. Esperar que os fornecedores venham cobrar ao invés de se antecipar e dar o primeiro passo acaba passando a impressão de ausência de preocupação com a situação e, consequentemente, acabar quebrando a relação de confiança entre as partes.

É preciso ter em mente que o fornecedor é um parceiro fundamental do seu negócio e que ter essa relação prejudicada por causa de um problema pontual pode trazer graves problemas para o futuro dessa relação. Então, não espere a cobrança chegar, se antecipe!

A sugestão aqui é manter um controle muito eficiente do fluxo de caixa projetado para saber com precisão em que momento o caixa será pressionado. Caso em algum momento seja identificado que a empresa não conseguirá honrar os compromissos, essa é hora de entrar em contato com o fornecedor e conversar.

O aviso com antecedência demonstrará ao fornecedor cuidado com a relação e boa vontade para a solução do problema. Também tornará muito mais simples a negociação já que mostrará a sua predisposição para buscar uma saída e o cuidado com a relação comercial existente.

Além disso, permite ao fornecedor que também avalie o seu próprio fluxo de caixa a fim de se programar. Afinal, ele também possui responsabilidades e despesas a honrar com seus parceiros e fornecedores. É um efeito dominó.

Caso os efeitos dessa crise pontual sejam muito grandes, sugerimos que você faça uma avaliação de quais são os fornecedores fundamentais para a continuidade do seu negócio, priorizando a negociação e o pagamento destes, inclusive, Dependendo da situação, convoque esses parceiros para tratar o assunto pessoalmente. Isso poderá ser um grande diferencial.

A vantagem da reunião é a proximidade entre as partes. O contato mais próximo propicia a geração de empatia e aumenta muito as chances de um acordo positivo. Mas é preciso ter em mente que se trata de uma via de mão dupla e que o fornecedor não é responsável pela sua situação financeira. Ou seja, é natural que ele peça uma compensação financeira pelo descumprimento das obrigações. Esteja preparado para isso, ok?

Tenho dívidas com o Governo

Dívidas de empresas com o governo são muito comuns, sejam elas de tributos federais, estaduais ou municipais.

Um dos principais problemas gerados pela ausência de pagamento de impostos é que a sua empresa não conseguirá gerar as certidões negativas necessárias para se relacionar com o mercado, muitas vezes.. E tal fato indica para fornecedores, credores e empresas de crédito que você possui dívidas não negociadas com o governo, dificultando a tomada de crédito, a participação em licitações e até mesmo de sua empresa realizar compras com alguns fornecedores. Um péssimo negócio.

Porém, a boa notícia é que o governo abre – ou abria – regularmente negociação para os empresários com débitos fiscais, oferecendo grandes atrativos financeiros para quitação dessas dívidas tributárias, como isenção do pagamento de multas e juros, além de normalmente conceder parcelamentos a perder de vista, os chamados Refis.

Vale aqui lembrar que a inadimplência fiscal, diferentemente da sonegação fiscal, não é considerada crime e quando muito, pode ser lida como uma apropriação indébita.

O cumprimento correto de obrigações tributárias é muito importante para que a sua empresa não seja surpreendida com a cobrança de multas e encargos moratórios que poderão até mesmo inviabilizar a continuidade do seu negócio. Por isso sugerimos que você acompanhe de perto o trabalho realizado por seu contador e conte com o apoio de profissionais habilitados para garantir a regularidade desses compromissos.

Tenho dívidas com bancos

A maior parte do lucro dos bancos é proveniente da cobrança de juros sobre capital emprestado. Para as empresas, isso muitas vezes se torna um pesadelo, já que a falta de gestão financeira adequada pode levar à necessidades de dinheiro rápido, e as linhas de crédito mais acessíveis são justamente as que possuem os juros mais caros, como cheque especial ou cartão de crédito.

O problema é que quando a sua empresa está endividada com bancos, a experiência mostra que só com muito esforço e disciplina ela irá reverter esse quadro.. Essa afirmação pessimista ocorre pois, dentre outras questões, os contratos bancários possuem cláusulas que autorizam a cobrança de juros de forma exponencial e, com o passar do tempo (e não precisa de um longo tempo), tornam-se impagáveis.

É aquilo que popularmente chamamos de cobrança de “juros sobre juros” ou mais tecnicamente, cobrança de juros capitalizados com periodicidade inferior a um ano, e que desde 2015, é legalmente permitida pelo Superior Tribunal de Justiça (súmulas 539 e 541).

Ocorre que, normalmente essa situação de “calamidade financeira” causada por dívidas bancárias decorre de decisões equivocadas tomadas pela falta de conhecimento dos produtos bancários disponíveis no mercado e de gestão alinhada – vale dizer – ao interesse escuso de muitos gerentes de contas que figuram como verdadeiros vendedores e não como profissionais especializados em planejamento financeiro (pelo menos é dessa forma que muitos bancos apresentam os seus gerentes em suas propagandas).

Ou seja, para fugir desse “problemão”, o importante é você tentar conduzir o seu negócio sempre contando com o apoio de profissionais especializados para te ajudar a tomar decisões mais acertadas que, via de regra, são diferentes daquelas ofertadas pelo seu gerente do banco.

Mas, se a sua empresa está endividada com bancos, saiba que existem sim caminhos para, com planejamento, reverter essa situação. Para tanto, o primeiro passo é reconhecer que erros possam ter sido cometidos, e assim então é hora de se empenhar na busca de soluções, que passam pela elaboração de um plano de pagamento considerando o seu fluxo de caixa, pela renegociação prioritária das dívidas, cuja cobrança de juros são maiores, e principalmente pelo cumprimento dos compromissos assumidos. Veja algumas dicas de como organizar as suas finanças.

Pode ocorrer também que o tempo tenha passado e a sua empresa já esteja sendo cobrada na justiça pelos bancos para pagar as dívidas existentes. Neste caso, a melhor opção será contratar um advogado especializado na área, para que ele encontre alternativas jurídicas de reversão desse cenário, defendendo a sua empresa judicialmente. Mas sempre com olhos na construção de um ambiente favorável, para que juntos vocês consigam solucionar amigavelmente essa questão.

Para facilitar as negociações, solicite ajuda especializada

Bem, ter dívidas é algo que pode acontecer com qualquer empresa, de qualquer segmento e de qualquer porte. A diferença está em saber como e quando agir para solucionar esse problema que, embora complexo, possui solução.

É importante ter em mente que existem técnicas e estratégias para se fazer negociação de dívidas e, que muitas vezes, contar com a ajuda de um profissional pode ser determinante para o sucesso da investida. Profissionais da área jurídica além de possuir conhecimento das técnicas de negociação ainda agregam muito com o conhecimento da legislação e podem auxiliar na elaboração de propostas, contratos e, no pior dos casos, situações que sejam litigiosas.

O importante é, conforme você pôde verificar durante o texto, se antecipar, começar a nadar antes que a onda chegue. Não espere, comece já!

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