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Cartão de crédito: como utilizar corretamente?

setembro 11, 2019

cartão de crédito é um dos produtos mais utilizados no mercado para financiamento de compras. Hoje, podemos afirmar tranquilamente que o uso dos cartões de crédito já superando a utilização do cheque entre os meios de pagamento mais utilizados.  

Como funciona o cartão de crédito?

Em resumo a administradora estabelece um limite de crédito no cartão, geralmente relacionado com a renda do titular. As compras realizadas são acumuladas por um período específico e a cobrança é feita mensalmente, na data de vencimento da fatura do cartão. Caso esta fatura seja paga com atraso, a administradora do cartão (muitas vezes pertencentes ou parceiras de bancos) financia o saldo para o cliente mediante a cobrança de juros (crédito rotativo), que geralmente são muito altos! Através do cartão de crédito o usuário pode também realizar saques em terminais de autoatendimento.

Normalmente são expedidos com prazo de validade determinado e são cobradas taxas pela prestação dos serviços de crédito e outros custos para execução do contrato (anuidade). 

Quais são as armadilhas da utilização?

Se o cliente paga todos os gastos do período no dia do vencimento, o produto é uma excelente opção para facilitar a aquisição de um bem ou serviço e, se não bastasse, ainda garante o acúmulo de pontos em programas de fidelidade que podem ser trocados por benefícios diversos (milhas).

Agora quando se deixa de pagar o valor integral e o cliente opta pelo pagamento do valor mínimo, a probabilidade de se ver numa situação de endividamento é muito grande. Isso porque os juros que serão cobrados sobre o saldo podem superar 1.000% ao ano, segundo dados de agosto do Banco Central!

A armadilha, portanto, está exatamente na possibilidade do cliente pagar um valor mínimo como se com isso ele estivesse honrando com as suas obrigações e sem que tal fato implique no bloqueio do cartão, só que na fatura do mês subsequente lhes são cobrados, além dos valores correspondentes às compras eventualmente realizadas no período, os valores não pagos da fatura anterior acrescidos de juros exorbitantes.  

Outra armadilha é a venda-casada de seguros em caso de perda ou roubo do cartão, que segundo a lei é pratica abusiva e pode ser questionada na justiça.

Taxas de juros do cartão de crédito

Ao equiparar as administradoras de cartão de crédito às instituições financeiras, o Superior Tribunal de Justiça validou a cobrança de taxas de juros além dos limites impostos pela lei (1% a.m.). Tal postura resolveu uma discussão antiga sobre o tema a ponto de hoje esse produto ser um dos mais caros do mercado.

Para que se tenha uma ideia do problema que o uso do crédito rotativo dos cartões pode implicar, listamos abaixo a taxa de juros de rotativo cobradas pelos 5 principais bancos do pais:

INSTITUIÇÃO % a.m. % a.a.
BCO BRADESCO S.A. 9,64 201,57
BCO DO BRASIL S.A. 9,84 208,33
CAIXA ECONOMICA FEDERAL 10,43 228,93
BCO ITAUCARD S.A. 10,73 239,76
BCO SANTANDER (BRASIL) S.A. 11,51 269,57

Tendo em vista que durante muitos anos a cobrança de juros do crédito rotativo tirou o sono de muitas pessoas que usam cartão de crédito. Por essa razão o Banco Central em recente resolução (Resolução nº 4.65/18), determinou que o crédito rotativo do cartão poderá ser usado por, no máximo, 30 dias.

Ultrapassado esse período, o saldo remanescente do crédito rotativo pode ser financiado mediante linha de crédito para pagamento parcelado, desde que em condições mais vantajosas para o cliente em relação àquelas praticadas na modalidade de crédito rotativo, inclusive no que diz respeito à cobrança de encargos financeiros.

Para saber mais sobre as regras de cobrança de encargos em decorrência de atraso no pagamento ou liquidação de obrigações relacionadas com faturas de cartão de crédito e de demais instrumentos de pagamento pós-pagos, clique aqui.

Como me proteger?

Como se pode observar, embora o cartão de crédito seja um produto interessante para aqueles que o usam com consciência, de forma planejada, o fato é que ele pode se tornar um dos maiores vilões do seu equilíbrio financeiro.

Para que você não perca o sono com dívidas de cartão, aqui vão algumas dicas:

  • Apenas faça compras com o cartão que couberem em seu orçamento mensal;
  • Caso opte em ter mais de um cartão o segredo é ter disciplina e planejamento;
  • Se for fazer alguma compra parcelada, procure planejar com cuidado e observar se a parcela cabe no seu bolso. Anotar todas as despesas pode te ajudar a não perder o controle;
  • O pagamento do valor mínimo deve ocorrer apenas em caso de urgência. Se isso ocorrer procure imediatamente alternativas para financiar o saldo devedor;

Outras dicas importantes para os usuários de cartão de crédito:

  • Saiba que a prática de envio de cartões de crédito sem a sua prévia e expressa solicitação é abusiva e ilegal segundo o Superior Tribunal de Justiça.
  • Se você tiver o seu cartão furtado, avise imediatamente o banco emissor, pois a partir desse momento você estará exonerado da obrigação de pagar pelas compras realizadas através do cartão.

Veja em nosso blog outras dicas de como organizar suas finanças e não se tornar mais um superendividado. E caso você tenha sido vítima de alguma armadilha, consulte um especialista para proteção dos seus direitos.

Produtos Bancários

Cheque Especial: cuidado com este vilão bancário

agosto 30, 2019

Para ficar sempre de olho nas finanças, é muito importante ter conhecimento sobre os produtos bancários disponíveis no seu banco, principalmente os que podem se tornar vilões do seu equilíbrio financeiro. Um exemplo deles é o cheque especial e por isso, hoje separamos as principais informações que você precisa saber sobre ele! Vamos lá?

O que é o cheque especial?

Resumidamente, cheque especial é um contrato no qual a instituição financeira se compromete a disponibilizar um determinado valor na conta do cliente (muitas vezes pré-aprovado) para cobertura de saldo negativo, mediante a cobrança de juros, que são considerados os mais altos do mercado financeiro. Além disso, sobre esse valor emprestado, o cliente também paga IOF (imposto sobre operações financeiras).

Quando utilizar o cheque especial?

Essa modalidade de empréstimo deve ser utilizada somente para coberturas pontuais (emergência) e durante curto período.

Quais são as armadilhas da utilização?

No caso do cheque especial, os juros altíssimos já são uma grande armadilha!

Além disso, algumas instituições oferecem essa linha de crédito sem cobrar juros caso a cobertura da dívida ocorra nos primeiros dias de utilização. Isso acaba dando ao cliente uma falsa sensação de que não há problema em ficar com o saldo negativo.

E é aqui que mora o perigo, pois caso o pagamento seja feito após os dias estipulados pelo contratado, os juros são cobrados em cima do período total, contando inclusive os dias que estavam isentos.

Como me blindar?

O grande volume de uso incorreto dessa linha de crédito e o elevado percentual de inadimplência pelos correntistas fez com que a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) estabelecesse novas regras para oferta dessas linhas de crédito pelos bancos.

Para acessar a integra do normativo da Febraban, clique aqui.

Confira as principais:

  • O banco precisa deixar claro que o cliente contratou um crédito pré-aprovado;
  • O valor do limite do cheque especial deve ficar claro no extrato, para não ser confundido com o saldo disponível na conta corrente do consumidor;
  • O banco deve avisar o cliente quando ele não tiver saldo suficiente na conta e precisar usar o limite do cheque especial;
  • O banco precisará oferecer uma opção para o cliente parcelar o saldo devedor com juros mais baixos do que o original;

A ideia da Febraban foi garantir maior transparência na atuação das instituições financeiras, além de informações para os usuários correntistas e possibilitar, para aqueles que já estão endividados, uma linha de crédito com juros menores, viabilizando o pagamento da dívida sem que isso comprometa totalmente o seu orçamento mensal, se tornando mais um superendividado.

Para entender tudo sobre superendividamento, clique aqui.

Taxas de juros do cheque especial

Confira abaixo as taxas de juros média de cheque especial cobradas em agosto pelos 5 principais bancos que operam no Brasil:

INSTITUIÇÃO % a.m. % a.a.
SANTANDER (BRASIL) S.A. 14,77 422,57
ITAÚ UNIBANCO S.A. 12,38 305,68
BCO DO BRASIL S.A. 12,21 298,2
7BCO BRADESCO S.A. 12,18 297,06
CAIXA ECONOMICA FEDERAL 9,40 193,82

Fique atendo!

Caso entre no cheque especial, procure rapidamente cobrir o saldo utilizado. E caso perceba que não terá recursos próprios para pagar, faça uma análise de outras linhas de crédito com juros menores e quite esta dívida o quanto antes.

Finanças pessoais

Cadastro Positivo: o que você precisa saber?

julho 4, 2019
Cadastro Positivo: o que você precisa saber?

No mês de abril, muito se falou sobre a lei que altera as regras do Cadastro Positivo, serviço que avalia os riscos de créditos de pessoas físicas e empresas, baseado no histórico financeiro e comercial. A aprovação da proposta faz com que os consumidores com bom histórico de pagamentos sejam incluídos automaticamente no sistema.

O Cadastro Positivo não é nada novo. Trata-se de uma política pública que está em vigor desde 2011 cujas regras foram alteradas pela Lei Complementar n.º 166/2019, sancionada em abril e que entram em vigor agora em julho.

Mas o que muda no Cadastro Positivo?

A principal mudança é que enquanto anteriormente a adesão do consumidor no Cadastro dependia de um requerimento expresso ou de autorização prévia em seu nome, por meio de assinatura em instrumento específico, hoje a inclusão passa ser automática. Ou seja, a regra será o consumidor estar no cadastro e seus dados somente serão excluídos a partir do momento em que ele se manifestar de forma contrária, solicitando a sua exclusão.  

O Cadastro permite que cada pessoa ou empresa tenha uma nota de crédito, chamada score, que será definida de acordo com o pagamento de contas dentro do prazo de vencimento, como empréstimos bancários, cartões de crédito e até serviços públicos. Em outras palavras, significa que, quanto mais suas contas forem pagas em dia, maior será o seu score.

Essa nota será disponibilizada para consulta de instituições financeiras e comércio em geral na hora de conceder crédito ao consumidor, para que em tese, os limites de crédito e as taxas de juros possam ser definidas com base nessas informações.

Afinal, quais seriam os benefícios da mudança?

Resumimos abaixo, segundo o que entendemos até aqui, quais seriam os principais benefícios dessa nova política pública:

  • Suas compras a crédito poderão ficar mais fáceis, mesmo que você não tenha comprovante de renda. A análise da pontualidade dos seus pagamentos poderá oferecer melhores condições comerciais, de acordo com o seu perfil.
  • A quantidade de parcelas e taxas de juros poderá ser definida de acordo com seu histórico de crédito.
  • Sua avaliação poderá ser feita de forma mais justa e completa, considerando não só as dívidas não pagas, mas também os pagamentos realizados em dia. 
  • Financiamentos e empréstimos poderão ser aprovados com mais facilidade e menos burocracia.
  • Você poderá embasar melhor suas negociações de crédito e pagamentos a  prazo de acordo com sua pontuação de crédito.

E o que faz minha nota de crédito no Cadastro Positivo subir ou cair?

Cada empresa de crédito poderá estabelecer seus critérios para essa nota, mas de modo geral, quando o consumidor paga as contas em dia e tem menos de 30% de sua renda comprometida com empréstimos, o score sobe. Entretanto, quem atrasa o pagamento de dívidas, está com o nome sujo e comprometeu boa parte de seus ganhos com crédito, terá sua pontuação reduzida.

Por que a lei do Cadastro Positivo é polêmica?

Alguns órgãos de defesa do consumidor alegaram que as novas regras não são claras sobre como as informações serão coletadas e que, como resultado, as empresas terão acesso a dados privados sem o prévio consentimento do cliente, o que, segundo eles, poderia ir na contramão da também recente Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Contudo, a LGPD, que exige o prévio consentimento do consumidor para o uso de suas informações pessoais, também dispensou a necessidade do consumidor dar o consentimento expresso para colheita de dados por instituições envolvidas em operações de crédito, fortalecendo, desta forma, o argumento de que o “novo” Cadastro Positivo não conflitaria com a LGPD.

Por fim, uma breve análise

De modo geral, as mudanças implementadas pela Lei Complementar em destaque têm sido bem recepcionadas pelo mercado, especialmente diante do atual momento econômico do Brasil. Especialistas acreditam que o efeito será positivo, sustentando que este novo modelo implicará na expansão do crédito, o que é muito esperado, principalmente para a população de baixa renda.

Contudo, é importante destacar que para se atingir os resultados esperados, outras políticas públicas voltadas à redução das taxas de juros no Brasil precisam ser implementadas. A verdade é que os juros atualmente aplicados pelos Bancos não decorrem exclusivamente do fator inadimplência, como alguns tentam sustentar. Logo, não nos parece que o Cadastro Positivo será, por si, o instrumento que viabilizará o atingimento das expectativas vendidas pelo governo.

Todavia, não podemos negar que essa nova política, somada a entrada de novos players no mercado financeiro (as chamadas Fintechs), poderá gerar em um futuro próximo resultados positivos, possibilitando que operações de crédito sejam remuneradas por taxas menos extorsivas, como estamos acostumados a pagar e, consequentemente, possibilitando não apenas o acesso de milhões de brasileiros ao mercado de crédito, mas ao crédito mais barato e que o pagamento seja possível.

E você, o que acha do Cadastro Positivo?